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De resgates a recomeços: a rotina da veterinária que cuida da fauna selvagem em Umuarama

Juliane Sipp atua no Hospital Veterinário da UEM, atendendo desde pets não convencionais até animais selvagens resgatados.


Cidade

23/01/2026 às 16:08

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A veterinária e docente Juliane Sipp está em Umuarama há seis meses (Foto: Click Umuarama)

Desde agosto de 2025, o Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Câmpus Regional de Umuarama (CAU), passou a oferecer atendimento especializado a animais selvagens e pets não convencionais. À frente desse trabalho está a veterinária e docente Juliane Sipp, que, ao lado de Rita de Cássia Menchon Tramontini — profissional que atua no hospital desde a sua fundação — se dedica ao cuidado de espécies variadas.

O serviço funciona em duas frentes. A primeira é voltada a pets não convencionais, como coelhos, calopsitas, papagaios, jabutis e tigres-d’água, mantidos sob cuidados humanos. Esses animais podem ser atendidos em horário comercial ou em regime de plantão 24 horas, reservado para casos de risco de óbito. A segunda atende animais selvagens de vida livre, geralmente resgatados pelo Instituto Água e Terra (IAT) ou encaminhados pela Polícia Ambiental.

Em média, mais de 30 animais selvagens passam pelo hospital mensalmente. Apenas no ano passado, de setembro a dezembro, 132 animais foram atendidos. A maioria veio de resgates realizados na cidade, mostrando a importância do hospital como centro de referência para a fauna local.

(Fotos: Click Umuarama)

Os atendimentos envolvem situações muito variadas. Entre pets não convencionais, são comuns casos de apatia, perda de apetite ou mudanças comportamentais. Entre animais selvagens, o hospital recebe vítimas de traumas, quedas e acidentes. O trabalho também inclui consultas preventivas e orientações para tutores, reforçando a importância da saúde e bem-estar desses animais.

O sucesso do atendimento depende da parceria entre o hospital, órgãos ambientais e forças de segurança, que vem se fortalecendo desde o ano passado. Todo serviço é custeado pelo próprio hospital, sem recursos externos, o que demonstra o comprometimento da universidade com a preservação da fauna.

Entre os maiores desafios da medicina de animais selvagens estão a complexidade das espécies e o manejo do estresse, que afeta diretamente a recuperação. Juliane explica que o contato com esses animais é limitado na graduação, tornando fundamental o estudo contínuo, especializações e experiência prática.

(Fotos: Click Umuarama)

Para a veterinária, que já conta com quase dez anos de experiência, o interesse pela área nasceu ainda na faculdade, motivado pela diversidade de espécies e rotina dinâmica. “É possível começar o dia atendendo uma ave, depois um coelho, um lagarto ou até uma serpente. Isso sempre me motivou”, conta Juliane, que está em Umuarama há seis meses.

O momento mais marcante de sua trajetória é a soltura dos animais reabilitados. “Devolver um animal à natureza é a parte mais gratificante do trabalho. Cada soltura representa um marco importante e especial na minha carreira”, afirma Juliane. Entre resgates, tratamentos e recomeços, o Hospital Veterinário da UEM segue como referência no cuidado à fauna selvagem da região.