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Após um ano, Polícia Civil prende quatro suspeitos de chacina em Icaraíma

A investigação aponta participação de integrantes da mesma família e continua em busca de outros possíveis envolvidos.


Policial

18/08/2026 às 13:16

5 minutos de leitura

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As informações foram divulgadas durante uma coletiva de imprensa (Foto: Click Umuarama)

As informações sobre a prisão de quatro pessoas investigadas pelo homicídio de quatro homens ocorrido em agosto de 2025, em Icaraíma, foram divulgadas pela Polícia Civil do Paraná durante uma coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (18).

A operação foi realizada pelo Grupo Tigre, unidade especializada da Polícia Civil, com apoio de diferentes forças de segurança. De acordo com a Polícia Civil, a investigação começou praticamente sem elementos concretos: não havia local definido para o crime, o veículo das vítimas, os corpos ou suspeitos identificados.

“No dia 5 de agosto de 2025, o que nós tínhamos eram apenas perguntas, sem nenhuma resposta”, destacou o delegado-chefe da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama, Izaias Cordeiro de Lima.

Crime começou a ser desvendado após localização de veículo e corpos

De acordo com o delegado Thiago Andrade, que presidiu a investigação, o crime ocorreu em uma área rural e de difícil acesso, o que dificultou inicialmente a localização de vestígios.

As vítimas teriam sido contratadas para realizar a cobrança de uma dívida. Conforme a investigação, um morador de Icaraíma teria contratado três indivíduos de São Paulo para auxiliar na cobrança. Eles chegaram ao município no dia 4 de agosto de 2025 e, no dia seguinte, os quatro homens foram mortos.

As diligências avançaram gradativamente

Em 22 de agosto de 2025, os investigadores encontraram o possível local de execução. Já em 12 de setembro, a Polícia Militar Ambiental localizou a Fiat Toro utilizada pelas vítimas, em uma área de mata. Seis dias depois, em 18 de setembro, os corpos foram localizados enterrados.

A partir dessas descobertas, teve início uma segunda etapa da investigação, com a análise do grande volume de materiais coletados pelas forças de segurança. Foram realizados mais de 100 laudos periciais pela Polícia Científica, além de trabalhos de perícia papiloscópica e análises de equipamentos.

As buscas também tiveram participação do Corpo de Bombeiros, que utilizou cães farejadores, drones, aeronaves, embarcações e sonar para auxiliar na procura pelos corpos e veículo. A Polícia Militar Ambiental também atuou nas buscas em áreas de mata.

Análise de dados

O delegado adjunto da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama, Leonardo Rodrigues Martinez, explicou que uma das principais frentes da investigação foi a análise dos dados coletados ao longo dos meses.

Segundo ele, foram reunidos vários terabytes de informações, o que exigiu a atuação de equipes especializadas da Polícia Civil. Entre elas está o Núcleo de Investigação Qualificada, sediado em Pato Branco e vinculado ao Departamento de Policiamento do Interior. A investigação apontou para integrantes de uma mesma família, ligados a Santa Bárbara d’Oeste, no estado de São Paulo.

Conforme Martinez, informações obtidas durante a investigação indicaram que dois dos investigados, Antonio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo, estavam em um sítio na região de Rio das Pedras, próximo a Santa Bárbara d’Oeste. O Grupo Tigre passou a fazer levantamentos e confirmou as informações.

Com o avanço da apuração, a Polícia Civil conseguiu, junto ao Poder Judiciário, mandados de prisão também contra Carlos Eduardo Candido Buscariollo e Carlos Henrique Buscariollo, apontados como integrantes do mesmo núcleo investigado.

Carlos Eduardo já estava preso por um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça Federal, relacionado a um crime de tráfico de drogas, e deverá responder também pela investigação referente aos homicídios. Carlos Henrique foi localizado pelo Grupo Tigre em Santa Bárbara d’Oeste e preso durante a operação desta terça-feira (18).

Polícia Civil afirma que investigação ainda não terminou

Apesar das prisões, a Polícia Civil ressalta que a investigação ainda está em andamento. De acordo com o delegado adjunto da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama, Leonardo Rodrigues Martinez, a apuração ainda precisa avançar na individualização das condutas de cada um dos presos e na identificação de outros possíveis envolvidos.

A Polícia Civil afirma que possui elementos suficientes para sustentar os mandados de prisão, mas que detalhes sobre a participação individual de cada investigado serão divulgados posteriormente, especialmente após a conclusão do inquérito.

Além disso, a Polícia Civil informou que há testemunhas que ainda não teriam procurado as autoridades por medo de represálias. Com os suspeitos presos, a expectativa é que novas pessoas se sintam seguras para prestar depoimentos e contribuir com a investigação.

Os presos também poderão ser novamente interrogados durante o período de prisão temporária, que tem prazo legal de 30 dias.