Fazenda onde corpos foram encontrados é multada em R$ 7,5 milhões por danos ambientais
Apesar da coincidência geográfica, as autuações ambientais não vinculam diretamente os proprietários ou arrendatários aos crimes investigados pela Polícia Civil.

Uma fazenda localizada no distrito de Vila Rica do Ivaí, em Icaraíma, foi multada em R$ 7,5 milhões por causar danos ambientais em áreas protegidas, durante a Operação Mata Atlântica em Pé IX. A propriedade é a mesma onde, neste mês, foram encontrados uma caminhonete Fiat Toro e, posteriormente, os corpos de quatro homens desaparecidos, fato que gerou ampla repercussão.
Durante a fiscalização, a Polícia Militar Ambiental constatou degradação de 278,55 hectares de vegetação nativa da Mata Atlântica. Os danos incluem áreas de Preservação Permanente (65,86 ha), Reserva Legal (131,71 ha) e vegetação em estágio médio de regeneração (80,98 ha). A presença irregular de bovinos em meio à mata foi o principal fator identificado para a degradação, agravada pela falta de cercamento e intervenções ilegais.
O local também apresentava indícios de supressão de vegetação nativa e estruturas clandestinas conhecidas como “bunkers”, utilizadas por criminosos para ocultar veículos, drogas e até corpos. Esses indícios reforçam a gravidade da situação, já que parte da área está inserida na Área de Proteção Ambiental das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná, o que aumentou o valor das multas e resultou no embargo das áreas degradadas.

Apesar da coincidência geográfica, a equipe esclareceu que as autuações ambientais não vinculam diretamente os proprietários ou arrendatários aos crimes investigados pela Polícia Civil, que conduz, separadamente, o inquérito sobre os assassinatos.
O Cadastro Ambiental Rural (CAR) da propriedade confirmou os danos e mostrou que parte da vegetação degradada não estava nem sequer registrada como área de reserva. O imóvel está atualmente arrendado, e os documentos analisados demonstram que tanto o proprietário quanto o arrendatário são responsáveis pelos animais e, consequentemente, pelo dano ambiental. Ambos foram notificados a retirar o gado e cercar as áreas para evitar novas infrações.
A Polícia Militar Ambiental aplicou seis autos de infração, totalizando R$ 7.548.000,00, além de comunicar formalmente o Ministério Público do Paraná (MPPR) sobre a situação. A equipe técnica alertou para os impactos permanentes do pisoteio do gado, como a compactação do solo, assoreamento de nascentes e a redução da capacidade de regeneração natural da vegetação.