Da Costa Rica a Umuarama: a arte de Kendall Bogantes conquista as ruas
Malabarista transforma semáforos em palco e sonha em abrir escola de circo na Capital da Amizade.

Aos 31 anos, Kendall Bogantes Camacho carrega no sorriso a leveza de quem escolheu viver da arte. Natural da Costa Rica, o artista tem mais de uma década dedicada aos malabares e às artes circenses — uma trajetória que já o levou a percorrer 13 países da América Latina, sempre aprendendo, ensinando e se apresentando onde houver espaço para encantar.
Kendall passou por importantes festivais culturais, como o Selvamonos, no Peru, o Envision Festival, na Costa Rica, e a Convenção Brasileira de Malabarismo e Circo, em São Paulo. Em cada experiência, acumulou técnicas, vivências multiculturais e a certeza de que o circo é uma linguagem universal.
Essa é a segunda vez que o artista visita Umuarama. “O que mais gosto aqui é o acolhimento das pessoas e a rede de apoio que construí. Acho que daí vem o nome Capital da Amizade”, afirma.

Grande parte dessa conexão acontece nos semáforos, onde ele transforma o tempo de espera em espetáculo. Para ele, levar a arte às ruas é também resgatar a essência do circo. “O circo começou assim. Gosto muito da troca de emoção com as pessoas. Isso me satisfaz”, diz.
Mais do que técnica, o malabarismo representa liberdade. É assim que Kendall define o que sente ao lançar claves e bolas ao ar. A liberdade de criar, de circular, de viver da arte e provar que o artista de rua também pode ocupar outros espaços.

Foi com esse pensamento que ele criou o projeto Circonáutico. A iniciativa surgiu com o objetivo de profissionalizar ainda mais sua carreira e ampliar horizontes além dos semáforos, alcançando festivais, eventos e instituições. O projeto também carrega a missão de compartilhar o conhecimento adquirido ao longo dos anos.
Em 2025, Kendall ministrou oficinas circenses no Centro da Juventude Agnaldo Mackert Barbosa (CEJU), em Umuarama, por meio do edital da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). A experiência, segundo ele, despertou um novo sonho: abrir uma escola de circo na cidade. “Os jovens mostraram muito interesse. Isso me deixou com vontade de fazer mais. É algo escasso aqui, e acredito que pode transformar vidas”, projeta, com a mesma firmeza de quem equilibra objetos — e sonhos — no ar.