De resgates a recomeços: a rotina da veterinária que cuida da fauna selvagem em Umuarama
Juliane Sipp atua no Hospital Veterinário da UEM, atendendo desde pets não convencionais até animais selvagens resgatados.

Desde agosto de 2025, o Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Câmpus Regional de Umuarama (CAU), passou a oferecer atendimento especializado a animais selvagens e pets não convencionais. À frente desse trabalho está a veterinária e docente Juliane Sipp, que, ao lado de Rita de Cássia Menchon Tramontini — profissional que atua no hospital desde a sua fundação — se dedica ao cuidado de espécies variadas.
O serviço funciona em duas frentes. A primeira é voltada a pets não convencionais, como coelhos, calopsitas, papagaios, jabutis e tigres-d’água, mantidos sob cuidados humanos. Esses animais podem ser atendidos em horário comercial ou em regime de plantão 24 horas, reservado para casos de risco de óbito. A segunda atende animais selvagens de vida livre, geralmente resgatados pelo Instituto Água e Terra (IAT) ou encaminhados pela Polícia Ambiental.
Em média, mais de 30 animais selvagens passam pelo hospital mensalmente. Apenas no ano passado, de setembro a dezembro, 132 animais foram atendidos. A maioria veio de resgates realizados na cidade, mostrando a importância do hospital como centro de referência para a fauna local.



Os atendimentos envolvem situações muito variadas. Entre pets não convencionais, são comuns casos de apatia, perda de apetite ou mudanças comportamentais. Entre animais selvagens, o hospital recebe vítimas de traumas, quedas e acidentes. O trabalho também inclui consultas preventivas e orientações para tutores, reforçando a importância da saúde e bem-estar desses animais.
O sucesso do atendimento depende da parceria entre o hospital, órgãos ambientais e forças de segurança, que vem se fortalecendo desde o ano passado. Todo serviço é custeado pelo próprio hospital, sem recursos externos, o que demonstra o comprometimento da universidade com a preservação da fauna.
Entre os maiores desafios da medicina de animais selvagens estão a complexidade das espécies e o manejo do estresse, que afeta diretamente a recuperação. Juliane explica que o contato com esses animais é limitado na graduação, tornando fundamental o estudo contínuo, especializações e experiência prática.



Para a veterinária, que já conta com quase dez anos de experiência, o interesse pela área nasceu ainda na faculdade, motivado pela diversidade de espécies e rotina dinâmica. “É possível começar o dia atendendo uma ave, depois um coelho, um lagarto ou até uma serpente. Isso sempre me motivou”, conta Juliane, que está em Umuarama há seis meses.
O momento mais marcante de sua trajetória é a soltura dos animais reabilitados. “Devolver um animal à natureza é a parte mais gratificante do trabalho. Cada soltura representa um marco importante e especial na minha carreira”, afirma Juliane. Entre resgates, tratamentos e recomeços, o Hospital Veterinário da UEM segue como referência no cuidado à fauna selvagem da região.