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Fazenda onde corpos foram encontrados é multada em R$ 7,5 milhões por danos ambientais

Apesar da coincidência geográfica, as autuações ambientais não vinculam diretamente os proprietários ou arrendatários aos crimes investigados pela Polícia Civil.


Policial

26/09/2025 às 16:10

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Durante a fiscalização, a Polícia Militar Ambiental constatou degradação de 278,55 hectares de vegetação nativa da Mata Atlântica (Foto: Polícia Militar Ambiental)

Uma fazenda localizada no distrito de Vila Rica do Ivaí, em Icaraíma, foi multada em R$ 7,5 milhões por causar danos ambientais em áreas protegidas, durante a Operação Mata Atlântica em Pé IX. A propriedade é a mesma onde, neste mês, foram encontrados uma caminhonete Fiat Toro e, posteriormente, os corpos de quatro homens desaparecidos, fato que gerou ampla repercussão.

Durante a fiscalização, a Polícia Militar Ambiental constatou degradação de 278,55 hectares de vegetação nativa da Mata Atlântica. Os danos incluem áreas de Preservação Permanente (65,86 ha), Reserva Legal (131,71 ha) e vegetação em estágio médio de regeneração (80,98 ha). A presença irregular de bovinos em meio à mata foi o principal fator identificado para a degradação, agravada pela falta de cercamento e intervenções ilegais.

O local também apresentava indícios de supressão de vegetação nativa e estruturas clandestinas conhecidas como “bunkers”, utilizadas por criminosos para ocultar veículos, drogas e até corpos. Esses indícios reforçam a gravidade da situação, já que parte da área está inserida na Área de Proteção Ambiental das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná, o que aumentou o valor das multas e resultou no embargo das áreas degradadas.

O local também apresentava indícios de supressão de vegetação nativa e estruturas clandestinas conhecidas como “bunkers” (Foto: Polícia Militar Ambiental)

Apesar da coincidência geográfica, a equipe esclareceu que as autuações ambientais não vinculam diretamente os proprietários ou arrendatários aos crimes investigados pela Polícia Civil, que conduz, separadamente, o inquérito sobre os assassinatos.

O Cadastro Ambiental Rural (CAR) da propriedade confirmou os danos e mostrou que parte da vegetação degradada não estava nem sequer registrada como área de reserva. O imóvel está atualmente arrendado, e os documentos analisados demonstram que tanto o proprietário quanto o arrendatário são responsáveis pelos animais e, consequentemente, pelo dano ambiental. Ambos foram notificados a retirar o gado e cercar as áreas para evitar novas infrações.

A Polícia Militar Ambiental aplicou seis autos de infração, totalizando R$ 7.548.000,00, além de comunicar formalmente o Ministério Público do Paraná (MPPR) sobre a situação. A equipe técnica alertou para os impactos permanentes do pisoteio do gado, como a compactação do solo, assoreamento de nascentes e a redução da capacidade de regeneração natural da vegetação.