Polícia Civil detalha dinâmica das mortes em Icaraíma e descarta sequestro ou tortura
Investigações apontam que as vítimas foram executadas ao chegarem à propriedade rural ligada a uma dívida.

A Polícia Civil divulgou, na quarta-feira (10), novas informações sobre a dinâmica do homicídio de quatro homens ocorrido em 5 de agosto de 2025, no Distrito de Vila Rica, em Icaraíma. A partir de diligências e laudos periciais, os investigadores conseguiram reconstruir o cenário do crime, esclarecendo local, horário e condições das mortes.
Segundo as apurações, Alencar — um dos envolvidos — contratou os serviços de cobrança de dívida com Diego Henrique Affonso. Diversas conversas entre ambos foram reunidas pela polícia, nas quais Alencar relatava temor em relação aos Buscariollo, supostos devedores. Diego o tranquilizava, afirmando que não haveria retaliação. O valor da dívida, porém, permanece controverso, variando entre R$ 129 mil, R$ 255 mil e até R$ 1 milhão, segundo relatos de diferentes envolvidos.
As conversas mostram que, no dia 4 de agosto, Alencar e os cobradores chegaram a Icaraíma e tiveram um primeiro encontro com Antônio e Paulo Buscariollo em Vila Rica, sem que houvesse acordo. Na manhã seguinte, Diego enviou novos áudios à esposa relatando que os Buscariollo estariam armados e escondendo-se para evitar a cobrança. Às 11h47 daquele dia, mais mensagens foram enviadas, indicando tensão crescente entre as partes.
Câmeras de segurança registraram que, às 12h04 do dia 5, os quatro homens deixaram Icaraíma em direção à Vila Rica, sendo essa a última vez em que foram vistos vivos. A investigação conclui que eles foram mortos por volta de 12h30, logo após chegarem à propriedade rural relacionada à dívida.
Os laudos periciais apontam para uma emboscada: ao menos cinco armas de fogo, de calibres diferentes, foram usadas em disparos que atingiram a Fiat Toro. A análise indica que as vítimas foram baleadas ainda dentro do veículo, com tiros em regiões vitais, causando morte imediata.
Com isso, a Polícia Civil descarta as hipóteses de sequestro, cativeiro ou tortura. Os corpos foram então colocados na cova onde foram encontrados e o veículo enterrado em um bunker próximo. Fragmentos da Fiat Toro foram localizados junto às vítimas, reforçando que o enterro ocorreu logo após a execução.
Denúncias anônimas sobre grande quantidade de disparos na região, em horário compatível com o crime, também contribuíram para consolidar a conclusão de execução imediata. Embora anônimas, as informações coincidiram com os demais elementos de prova colhidos.
Em nota, a Polícia Civil destacou que o objetivo dessa divulgação é apenas detalhar a dinâmica do crime e explicar como ocorreu a reconstrução da cena — não a identificação dos autores, ponto que permanece sob investigação.
A corporação também confirmou que irregularidades foram detectadas durante o processo investigativo, levando à compartimentação rigorosa de informações e transferência de agentes públicos suspeitos de possível comunicação com investigados após o crime. Não há indícios de envolvimento desses agentes nas mortes, mas sim de eventual facilitação de fuga ou destruição de provas. A Corregedoria da Polícia Civil segue apurando os fatos.