Polícia Militar alerta para golpes digitais com uso de IA e dados reais das vítimas
Criminosos estão utilizando informações de processos judiciais, spoofing e recursos de Inteligência Artificial para tornar as fraudes mais sofisticadas.

O 25º Batalhão de Polícia Militar emitiu um alerta à população sobre o avanço de golpes digitais e fraudes eletrônicas registrados em Umuarama e região. Segundo a corporação, os criminosos estão deixando de lado abordagens genéricas e utilizando robôs de Inteligência Artificial (IA), além de informações reais obtidas em fontes públicas, para tornar os golpes cada vez mais convincentes.
Entre as formas de atuação está o golpe do falso advogado ou falso juiz. Os estelionatários utilizam dados públicos de processos judiciais em andamento para identificar as partes envolvidas e, posteriormente, entram em contato se passando por advogados, servidores da Justiça ou magistrados. Com informações detalhadas sobre o processo, eles alegam uma suposta liberação de indenização, precatório ou outro valor e solicitam o pagamento imediato de falsas custas ou taxas por Pix.
Outro recurso utilizado pelos criminosos é o chamado spoofing, que permite mascarar o número de telefone exibido durante uma ligação. Dessa forma, o contato pode aparecer no celular da vítima como sendo o número de um escritório de advocacia, fórum, órgão público ou até mesmo uma instituição bancária. O 25º BPM reforça que a identificação exibida na tela não é suficiente para comprovar a autenticidade da chamada.
Os golpes também podem envolver falsos familiares, com criminosos utilizando fotos e informações de parentes em aplicativos de mensagens para alegar uma troca de número ou uma situação emergencial. Também são comuns sites clonados, links utilizados para roubo de senhas e anúncios falsos de produtos ou veículos oferecidos por valores muito abaixo do mercado.
Diante desse cenário, a Polícia Militar orienta a população a desconfiar de cobranças urgentes relacionadas à liberação de valores. A corporação destaca que o Poder Judiciário e escritórios idôneos não exigem pagamentos emergenciais por Pix, enviados por aplicativos de mensagens, para liberar indenizações. Em caso de contato suspeito, a recomendação é desligar e procurar o advogado ou órgão responsável por meio de um canal de comunicação já conhecido.
Também é importante conferir cuidadosamente os dados do destinatário antes de realizar qualquer Pix, verificando o nome e o CPF ou CNPJ exibidos no aplicativo bancário. A PM alerta ainda que bancos não solicitam senhas, códigos de validação por SMS ou transferências de valores para realizar supostos estornos.
Quem for vítima deve comunicar o banco imediatamente para tentar acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix e buscar o bloqueio dos valores. A orientação é preservar todas as provas, incluindo conversas, áudios, capturas de tela, comprovantes de transferência e números utilizados pelos criminosos, além de registrar um Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia Civil.