Sonho de infância guia trajetória de professora em Umuarama
Michelle Rodrigues une criatividade e educação inclusiva para tornar a aprendizagem mais acolhedora.

Aos cinco anos, Michelle Cristina Rodrigues já sabia o que queria ser quando crescesse: professora. Diferentemente de muitas pessoas, que descobrem a vocação ao longo da vida, ela conta que nunca mudou de ideia. Décadas depois, aos 41 anos, a menina que sonhava em ensinar continua encontrando na educação motivos para criar, aprender e acreditar no potencial de cada aluno. No Dia do Professor, celebrado nesta quinta-feira (15), sua trajetória representa a dedicação de quem transforma o ensino em uma experiência de conhecimento, acolhimento e descobertas.
Professora da Escola Municipal Cândido Portinari, no Conjunto Sonho Meu, em Umuarama, Michelle construiu uma carreira marcada pela busca constante por conhecimento. Formada em Letras e Pedagogia, especialista em Educação Especial e Intervenção ABA e mestre em Educação Inclusiva, ela começou a trabalhar na área em 1999, como estagiária na rede particular de ensino. Desde então, passou por diferentes redes e municípios até consolidar sua trajetória na educação pública.
Atualmente, lecionando para turmas do 3º e 5º anos do Ensino Fundamental, Michelle acredita que ensinar vai muito além de dominar o conteúdo. É preciso observar, escutar e compreender quem está diante do professor. Por isso, evita repetir fórmulas prontas: cada turma tem características, interesses e dificuldades próprias. A partir dessa percepção, ela busca alternativas para despertar a curiosidade dos estudantes e tornar as aulas mais interessantes.

A criatividade é uma de suas marcas em sala de aula. Para Michelle, inovar não significa apenas propor atividades diferentes, mas encontrar maneiras de aproximar cada criança do conhecimento. Uma proposta pode ser adaptada para facilitar a compreensão, estimular a participação ou respeitar as necessidades específicas de um estudante.
Um exemplo dessa maneira de ensinar foi o projeto ‘Umuarama: A Cidade Amiga’, desenvolvido em 2025 com estudantes do 2º ano. A iniciativa aproximou a alfabetização da história do município por meio de leituras, atividades com palavras e sílabas, compreensão textual e ilustrações. A experiência ganhou um significado especial quando os desenhos produzidos pelas crianças passaram a integrar um livro infantil publicado em parceria com outra professora da rede municipal.
O que começou como uma atividade pedagógica ultrapassou os limites da sala de aula e se transformou em uma obra que também carrega a participação dos estudantes. Para Michelle, a experiência permitiu mostrar às crianças que elas poderiam fazer parte da construção de uma história. Além de estimular a leitura e a escrita, o projeto fortaleceu o vínculo dos alunos com a cidade onde vivem.
Essa atenção às particularidades de cada estudante também orienta seu trabalho com a educação inclusiva. Michelle defende que não existe uma única maneira de aprender e que o planejamento pedagógico precisa considerar os diferentes ritmos, as potencialidades e necessidades de cada criança. Adaptar uma atividade, utilizar outros recursos ou dedicar mais tempo a determinado conteúdo são formas de ampliar as oportunidades de aprendizagem, sem diminuir a importância do conhecimento.
Para ela, a inclusão vai além de garantir que o aluno esteja matriculado. É necessário criar condições para que ele participe das atividades, desenvolva suas habilidades e se sinta parte da comunidade escolar. Esse compromisso, ressalta, não deve recair apenas sobre um professor, mas envolver toda a equipe, além da parceria com as famílias.


A compreensão de Michelle sobre as diferentes formas de aprender também ganhou uma dimensão pessoal com a maternidade. Mãe de Mariana, de 13 anos, e Betina, de 6, ela conta que a experiência de ser mãe atípica ampliou seu olhar sobre as pessoas e suas particularidades. A convivência familiar reforçou a importância de respeitar o tempo de cada criança e compreender diferentes formas de comunicação.
Na Escola Municipal Cândido Portinari, Michelle encontrou um ambiente que descreve como um lugar de paz, acolhimento e fortalecimento. Bem recebida pela equipe e a comunidade escolar, construiu vínculos que, segundo ela, ultrapassam o relacionamento profissional. O sentimento de pertencimento também faz parte de sua experiência como educadora e contribui para a construção de um espaço em que alunos e professores possam aprender uns com os outros.
Mais do que transmitir conteúdos, Michelle espera que seus alunos reconheçam a própria capacidade de aprender e compreendam que as dificuldades não determinam até onde podem chegar. Uma palavra de incentivo, uma atividade adaptada ou uma oportunidade de descobrir algo novo podem ajudar uma criança a enxergar a si mesma de outra maneira. São conquistas que nem sempre aparecem nas avaliações, mas que também integram o processo de formação.

Neste Dia do Professor, a história de Michelle mostra que educar significa não apenas ensinar a ler, escrever ou compreender o mundo, mas também criar oportunidades para que cada criança descubra suas próprias possibilidades. É um trabalho que exige conhecimento, sensibilidade, criatividade e disposição para recomeçar sempre que necessário.
Depois de tantos anos na profissão, aquela menina que dizia querer ser professora segue fiel ao sonho que nunca abandonou. Sua trajetória revela que ensinar não é apenas preparar crianças para o futuro, mas oferecer, todos os dias, ferramentas para que descubram quem são e quem ainda podem se tornar.